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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Resenha: Blue Note

Em termos técnicos Blue Note é uma nota musical fora do tradicional lá, si, dó, ré, mi, fá e sol.  Blue Note é especificamente usados para dar a música tons de melancolia, tristeza e emoção. Se você lembrou-se de Blues e Jazz, parabéns! Acertou em cheio!

Blue Note escrita por Biu e ilustrada por Shiko é uma história em quadrinhos dificilmente vista. É uma mescla de ritmos, narrativas, arte e algo há mais que é difícil descrever.

Até para citar uma sinopse é difícil. Podemos dizer sem entregar nada que é a história de um personagem que vai de Rio Tinto a João Pessoa. E no meio de tudo isso, grandes coisas aconteceram. Quase uma epopeia.

Ok. Mas até aqui não entendi o porquê de uma nota musical que não é uma nota musical tem haver com uma história em quadrinhos estranha dessas?

Se você, não se perguntou isso, com certeza passou pela sua cabeça que essa história é um pouco confusa. E é!

Como na própria apresentação os próprios responsáveis da obra advertem; Blue Note não é exatamente uma história em quadrinhos, mas uma obra fonográfica.

(Olha aí a ligação com o Blues e Jazz.)

E, é essa experimentação de música com quadrinhos e o ato de sair dos padrões dos quadrinhos que chama atenção nessa história.

O texto de Biu é pura poesia. Que misturada com a incrível arte de Shiko, torna-se a música que há tempos não ouvimos.

É de longe, o quadrinho mais sensorial e perceptivo que já li. Ou melhor, que ouvi. A sensação que eu tive ao ler/ouvir Blue Note me remeteu sensação da primeira vez que ouvi “The Thrill Is Gone” do B. B. King ou “Sweet Home Chicago” do mestre Robert Jhonson. Na verdade, qualquer Blues que eu ouço, me faz sentir em outra dimensão.

Toda a poesia de Biu é lírica e se torna surreal na arte de Shiko, que pinta quadros em forma de páginas em quadrinhos. Nenhum deles tem medo de usar palavrões, sexo, animais e ciborgues para contar sua história. Tudo faz sem sentido quando não parece fazer.

Alias a história não tem exatamente um fim. A cada leitura, você terá uma percepção diferente.
É uma narrativa não linear, que usar e abusa do tempo e espaço ao seu redor. Uma música que raramente você já ouviu.

Então, se você um dia consegue ter em mãos esse disco… Ops! Essa história em quadrinho em forma de música. Sente-se, abra o encarte e se delicie com uma música pura, experimental e sensacional.

Agora eu peço licença a todos, deixa-me “sentir” um pouco com esse autografo SENSACIONAL que recebi do Shiko durante o FIQ - Feira Internacional dos Quadrinhos. Segundo ele, fui o ÚNICO de todo o evento que apareci com um Blue Note para pegar autografo dele.

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