Em termos técnicos Blue Note é uma nota musical fora do
tradicional lá, si, dó, ré, mi, fá e sol. Blue Note é especificamente
usados para dar a música tons de melancolia, tristeza e emoção. Se você
lembrou-se de Blues e Jazz, parabéns! Acertou em cheio!
Blue Note escrita por Biu e ilustrada por Shiko é uma
história em quadrinhos dificilmente vista. É uma mescla de ritmos, narrativas,
arte e algo há mais que é difícil descrever.
Até para citar uma sinopse é difícil. Podemos dizer sem
entregar nada que é a história de um personagem que vai de Rio Tinto a João
Pessoa. E no meio de tudo isso, grandes coisas aconteceram. Quase uma epopeia.
Ok. Mas até aqui não entendi o porquê de uma nota musical que não
é uma nota musical tem haver com uma história em quadrinhos estranha dessas?
Se você, não se perguntou isso, com certeza passou pela sua
cabeça que essa história é um pouco confusa. E é!
Como na própria apresentação os próprios responsáveis da
obra advertem; Blue Note não é exatamente uma história em quadrinhos, mas uma
obra fonográfica.
(Olha aí a ligação com o Blues e Jazz.)
E, é essa experimentação de música com quadrinhos e o ato de
sair dos padrões dos quadrinhos que chama atenção nessa história.
O texto de Biu é pura poesia. Que misturada com a incrível
arte de Shiko, torna-se a música que há tempos não ouvimos.
É de longe, o quadrinho mais sensorial e perceptivo que já
li. Ou melhor, que ouvi. A sensação que eu tive ao ler/ouvir Blue Note me
remeteu sensação da primeira vez que ouvi “The Thrill Is Gone” do B. B. King ou
“Sweet Home Chicago” do mestre Robert Jhonson. Na verdade, qualquer Blues que
eu ouço, me faz sentir em outra dimensão.
Toda a poesia de Biu é lírica e se torna surreal na arte de
Shiko, que pinta quadros em forma de páginas em quadrinhos. Nenhum deles tem
medo de usar palavrões, sexo, animais e ciborgues para contar sua história.
Tudo faz sem sentido quando não parece fazer.
Alias a história não tem exatamente um fim. A cada leitura,
você terá uma percepção diferente.
É uma narrativa não linear, que usar e abusa do tempo e
espaço ao seu redor. Uma música que raramente você já ouviu.
Então, se você um dia consegue ter em mãos esse disco… Ops!
Essa história em quadrinho em forma de música. Sente-se, abra o encarte e se
delicie com uma música pura, experimental e sensacional.
Agora eu peço licença a todos, deixa-me “sentir” um pouco
com esse autografo SENSACIONAL que recebi do Shiko durante o FIQ - Feira
Internacional dos Quadrinhos. Segundo ele, fui o ÚNICO de todo o evento que
apareci com um Blue Note para pegar autografo dele.
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