No fundo, toda história é uma histórias de amor.
Num futuro
pós-apocalíptico, a terra é um planeta praticamente desértico. A água potável é
privilégio de poucos. Que como sempre, só os ricos que tem.
Sendo direto ao
ponto e sem lenga-lenga, Flávio apresenta no futuro um personagem historicamente
conhecido do nosso folclore brasileiro, o cangaceiro. No caso, Severino Crispim
dos Santos, mais conhecido como “O Cabra” por aquelas bandas.
Um personagem que
foi o único sobrevivente de uma emboscada, onde ele perde todos do seu bando e
sua amada, parte em busca de vingança.
O autor Flávio Luiz
brinca e nos brinde com várias referências dos filmes pós-apocalípticos e com
os gêneros de histórias, pois misturar o clima árido do nosso sertão nordestino
com a violência e o futuro diatópico de Mad Max com uma pitada de black
expoitain, não é para qualquer um e nem tão fácil.
Um dos maiores problemas em criar heróis brasileiros nos
quadrinhos, é que os autores esquecem o “brasileriedade” do nosso povo e acaba
criando um herói americano, mas em terra tupiniquins. Algo fora de contexto e
que não fará sucesso nenhum, pois não sabe o que se quer definir com o
personagem.
Felizmente, Flávio Luiz é um cabra que definiu bem o seu
personagem, sua trajetória e o que queria contar. Um dos destaques é a linguagem dos personagens, bem típico
do povo nordestino e bem brasileiro na verdade. Ocê vai tender muito bem ao
ler. ;)
A arte de Flávio Luiz é linda e espetacular, utiliza muito
bem os enquadramentos e a movimentação dos personagens. E ela acaba sendo muito
privilegiadas por duas coisas:
1ª As cores de Artur Fujita dão a história a ambientação e
climatização perfeita para a história. E não sobrepõem à arte do Flávio, ao
contrário, a completa perfeitamente.
2ª O formato do gibi é GRANDE! E privilegia e MUITO a arte
do Flávio. Uma escolha arriscada, mas muito bem acertada.
Por fim, é uma leitura e aventura deliciosa para se
acompanhar. E no finalzinho, fica o gostinho de quero mais.
Fica a torcida pelo Flávio Luiz dar novas histórias para O
Cabra. Um bom personagem e ainda por cima, bem brasileiro não pode ficar só
numa história.
O meu único “porém” é: Onde vou guardar esse GIBIZÃO? Na
estante não cabe.

Nenhum comentário:
Postar um comentário