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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Resenha: O Cabra

No fundo, toda história é uma histórias de amor.

Num futuro pós-apocalíptico, a terra é um planeta praticamente desértico. A água potável é privilégio de poucos.  Que como sempre, só os ricos que tem.

Sendo direto ao ponto e sem lenga-lenga, Flávio apresenta no futuro um personagem historicamente conhecido do nosso folclore brasileiro, o cangaceiro. No caso, Severino Crispim dos Santos, mais conhecido como “O Cabra” por aquelas bandas.

Um personagem que foi o único sobrevivente de uma emboscada, onde ele perde todos do seu bando e sua amada, parte em busca de vingança.

O autor Flávio Luiz brinca e nos brinde com várias referências dos filmes pós-apocalípticos e com os gêneros de histórias, pois misturar o clima árido do nosso sertão nordestino com a violência e o futuro diatópico de Mad Max com uma pitada de black expoitain, não é para qualquer um e nem tão fácil.

Um dos maiores problemas em criar heróis brasileiros nos quadrinhos, é que os autores esquecem o “brasileriedade” do nosso povo e acaba criando um herói americano, mas em terra tupiniquins. Algo fora de contexto e que não fará sucesso nenhum, pois não sabe o que se quer definir com o personagem.

Felizmente, Flávio Luiz é um cabra que definiu bem o seu personagem, sua trajetória e o que queria contar. Um dos destaques é a linguagem dos personagens, bem típico do povo nordestino e bem brasileiro na verdade. Ocê vai tender muito bem ao ler. ;)

A arte de Flávio Luiz é linda e espetacular, utiliza muito bem os enquadramentos e a movimentação dos personagens. E ela acaba sendo muito privilegiadas por duas coisas:

1ª As cores de Artur Fujita dão a história a ambientação e climatização perfeita para a história. E não sobrepõem à arte do Flávio, ao contrário, a completa perfeitamente.

2ª O formato do gibi é GRANDE! E privilegia e MUITO a arte do Flávio. Uma escolha arriscada, mas muito bem acertada.

Por fim, é uma leitura e aventura deliciosa para se acompanhar. E no finalzinho, fica o gostinho de quero mais.

Fica a torcida pelo Flávio Luiz dar novas histórias para O Cabra. Um bom personagem e ainda por cima, bem brasileiro não pode ficar só numa história.

O meu único “porém” é: Onde vou guardar esse GIBIZÃO? Na estante não cabe.



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